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13 fevereiro 2017

Obscuridão em Antero de Quental - Sonetos Completos

Detalhes da Obra:


Título: Sonetos Completos | Autoria: Antero de Quental Capa: Mole | Editora: Biblioteca Ulisseia e Autores Portugueses | Ano de edição: 2002 | Páginas: 220 | Idioma: Português | ISBN: 9725684486350
Sinopse:


           A poesia de Antero de Quental apresenta três faces distintas:
  • A das experiências juvenis, em que coexistem diversas tendências;
  • A da poesia militante, empenhada em agir como “voz da revolução”;
  • E a da poesia de tom metafísico, voltada para a expressão da angustia de quem busca um sentido para a existência.
           A oscilação entre uma poesia de combate, dedicada ao elogio da acção e da capacidade humana, e uma poesia intimista, direcionada para a análise de uma individualidade angustiada, parece ter sido constante na obra madura de Antero, abandonando a posição que costumava enxergar uma sequência cronológica de três fases.
           Antero atinge um maior grau de elaboração em seus sonetos, apresentados na íntegra nesta obra, considerados por muitos críticos uns dos melhores da língua e comparados aos de Camões e aos de Bocage. Há, na verdade, alguns pontos de contato estilísticos e temáticos entre esses três poetas: os sonetos de Antero têm inegável sabor clássico, quer na adjetivação e na musicalidade equilibrada, quer na análise de questões universais que afligem o homem.
 
Opinião:

           
            A obra de Antero de Quental visa explorar os períodos da fase poética do escritor, conhecido como o poeta da desgraça, do mórbido e do obscuro. A narrativa faz uma denuncia visível à alma sensível, expondo igualmente a preocupação metafísica e dúvida teológica na qual o homem encontra-se cativo das próprias leis do universo. O poeta da desgraça descreve a pobreza humana, as lutas infantis por bens menores e desenvolve com o leitor uma dúvida em relação à verosimilhança de Deus, será que ele existe mesmo? Não obedecendo a correntes literárias, nem à métrica silábica e de rimas, o ator opta mais frequentemente pelo uso da rima emparelhadas e interpolada, usando igualmente a rima cruzada e verso nulo.
            Para além da temática do obscuro, verifica-se uma valorização da luz em contraste com a escuridão, na qual a luz é fonte de salvação e não Deus (visto não seguir nenhuma religião e por vezes ser associado ao budismo e não ao cristianismo). A narrativa em muitos dos sonetos decorrem em terreno fantasmagórico e transcendente, ou seja, passa do meio terreno para o meio espiritual de forma irónica e de desprezo.
 
"O absoluto é o nada. O Universo, a realidade inteira".

3 comentários:

  1. Não conheço a obra, mas fiquei com vontade de ler!

    r: Muito obrigada *.*

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  2. Confesso que apenas o li porque fazia parte das leituras obrigatórias da escola... Depois disso, nunca mais, e na altura até não desgostei.
    Beijinhos

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  3. Confesso que este livro não me cativou,porém,a resenha foi interessante.

    www.paginasempreto.blogspot.com.br

    Beijos

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