22 Anos ; Livros, Séries, Filmes & Músicas - : Contacto: culturadeescape@gmail.com


27 fevereiro 2017

Crítica Social em O Bom Crioulo de Adolfo Caminha

Detalhes da Obra:


Título: Bom Crioulo | Autoria: Adolfo Caminha Capa: Mole | Editora: Sistema Solar | Ano de edição: 2014 | Páginas: 160 | Idioma: Português | ISBN: 9789898566669
Sinopse:


           Um marinheiro crioulo (ou seja, um mestiço de sangues negro e índio), com trinta anos de idade, «muito alto e corpulento, figura colossal de cafre», não resiste à atracção física de um grumete de quinze anos, «belo marinheiro de olhos azuis». Pouco depois está construído um pouco habitual triângulo que na casa da portuguesa D. Carolina (mulher fogosa, com desejos de oferecer à experiência do seu corpo maduro um amante jovem) se faz vórtice numa história de fúria sexual e morte, com elementos inter-raciais e pedófilos, servido com uma frieza descritiva que passa ao lado de qualquer julgamento moral das personagens, tudo isto muito mais do que chegava para ser insuportável aos leitores daquele final do século XIX. Adolfo Caminha foi na sua época atacado pela crítica «oficial», e depois dela pelos que ampliaram os seus defeitos, ridicularizam pormenores de estilo isolando-os do contexto com malévola tendência; e se ele conseguiu fazer sob esta desagradável chuva uma carreira que já galgou um século, nunca descolou de si o rótulo de autor «maldito». [Aníbal Fernandes] homem.

Opinião:

           
            Trata-se de um romance que quebra com os padrões "socialmente" aceites retratando a história e a juras de amor do bom-crioulo para com Aleixo. O livro não trata só de fazer um retrato do amor que inicialmente parece sincero mas com o desenrolar da obra Aleixo sente-se controlado pelo amante, ele retrata de igual modo a discriminação e a censura aplicada a pessoas honestas que tentam lutar pelos seus ideais. Com uma linguagem real, o leitor sente-se integrado no ambiente da ação onde se desenrola a obra.
            Iniciando-se com o destaque dos pecados e os castigos aplicados aos "criminosos", prossegue-se à descrição fidedigna da fuga do crioulo, a entrada para marinheiro e o relacionamento proibido com Aleixo. Mencionando os romances proibidos, envolvimentos escusados, o negro é considerado um individuo perigoso e é enviado para uma clinica de reabilitação para o tratamento da raiva.
            Trata-se de uma obra que em poucas páginas retrata o romantismo exacerbado que vai contra os padrões, a discriminação negra, a censura, a traição desmedida e o fatum. Após a traição Aleixo, ele está predisposto para morrer, e isso nota-se na narrativa da obra.

2 comentários:

  1. Não conhecia, mas parece interessante!

    r: Muito obrigada :)

    ResponderEliminar
  2. Parece uma história interessante e um texto a fluir com leveza na turbulência do enredo. Sexo é um apelativo constante na atualidade, se não cair na mesmice pode ser bom. Grande abraço Laerte.

    ResponderEliminar