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14 novembro 2016

Até onde vai a Loucura? OPINIÃO : Hermann Broch - A Criada Zerlima

Detalhes da Obra:

Título: A Criada Zerlima | Autoria: Hermann Broch | Tradução: Suzana Muñoz | Capa: Mole | Editora: Quidnovi | Colecção: Biblioteca de Verão #19 | Ano de edição: 2000 | Páginas: 96 | Idioma: Português| ISBN: 9789895547586 
Sinopse:



           Na obra de Hermann Broch, Zerlina não é uma jovem camponesa desperta para os impulsos do corpo, mas uma velha criada, distante já da sua matriz instintual, para quem a estratégia erótica se transformou em estratégia discutiva. Mas o corpo e discurso são ambos modos, embora diferentes, de conhecimento e o exercício de Zerlina consiste justamente na laboriosa tradução do conhecimento instintual em conhecimento intelectual.
           Entre um e outro, como única mediadora, está a sua linguagem, em cuja rudimentaridade procura a sistematização de valores que assistem à sua conversão de «ser erótico» em «ser ético». Como resíduo desta transformação, emerge o valor axial do seu movimento: a culpa. Não a sua – Zerlina permanece sempre exterior ao mundo que observa e relata – mas a de uma sociedade que a ela se exime, justamente porque aceita assimilar e inscrever corpo e culpa. Sobre elas Zerlina, enquanto «ser ético», passa julgamento e delibera ser guardiã e executora da consequência do sistema de valores que identificou.
           É a sua exterioridade a esse sistema que a investe da capacidade de ser juiz e seu carrasco. A sua posição, é uma posição extrema, absoluta, como rudimentar e limite é a sua linguagem. Ambas decorrem de um valor maior e primeiro: a intensa transferência das vivências, que na sua intensidade só podem ser inocência.

Opinião:


 Com uma narrativa baseada em flashbacks contínuos, o livro vem retratar uma sociedade corrupta movida pelo dinheiro. Iniciada com o narratário de uma personagem  "A.", a obra descreve predominantemente o percurso da criada Zerlima, o seu envolvimento com o Senhor de Juno e a exposição das diversas relações extraconjugais que o corrupto mantinha (com Elvira / a mulher do barão, entre outras).
Entregando-se aos pecados capitais, Zerlima tem a esperança de casar com o amante e viver uma vida feliz com ele, mesmo tendo conhecimento das diversas amantes e relacionamentos proibidos. Zerlima não é igualmente santa, também envolve-se com outros homens, por quem apenas sente apenas prazer sexual e não se liga intimamente. A obra retrata a paixão  de uma forma tão perversa e doentia que nem pode ser considerado amor.
Em A criada Zerlima expõe-se com nitidez a cegueira pelo dinheiro, a perversidade, a prostituição e a loucura exagerada por um amor impossível . Retrata de igual modo o determinismo na personagem de Hermengarda que está predestinada ao pecado pelo passado corrupto dos pais.


Uma narrativa que se lê de uma assentada!

2 comentários:

  1. Bom dia, denunciar uma sociedade corrupta movida pelo dinheiro é excelente, a Zerlima não foi santa, e os santos(as) foram?
    Resto de boa semana,
    AG

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  2. Não conhecia, mas parece-me muito bem! =)
    Beijinhos

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